P1060617Um momento mágico – movimentos de consciência plena e meditação ao nascer do sol (retiro com os monges de Plum Village)


imThbPool“O desgosto e a mágoa surgem de uma perda, seja ela qual for. Qual é a nossa relação com a experiência da perda, que na verdade é apenas outra palavra para mudança? Temos aversão por ela? Temos apego ao que perdemos, fosse uma pessoa, ou uma situação das nossas vidas?

Fui primeiramente surpreendido pela diferença entre perda e mágoa quando reflectia sobre dois ensinamentos diferentes de textos budistas. Um é a história que revela o sentimento de perda sentido pelo próprio Buda. Na altura da morte dos seus principais discípulos, Sariputta e Moggallana, o Buda comentou que foi como se a luz do sol e da lua tivessem desaparecido do céu, de tal maneira importante tinha sido a contribuição dos dois para os ensinamentos. Isto é uma reflexão muito pungente sobre a magnitude da perda.

O segundo ensinamento é do Satipetthana Sutta, o discurso sobre as bases da atenção plena. Neste sutra, o Buda declara os frutos da prática: “Este é o caminho para a purificação dos seres, para triunfar do sofrimento e da lamentação, para o desaparecimento da dor e do pesar, para atingir o Nobre caminho, para a realização do Nirvana – nomeadamente, as quatro bases
da atenção plena.” Continue reading ‘Desgosto e perda’


E aqui está…

03Out09

UBPblue_smo novo site da UBP Porto 🙂


morningmais um texto em que tenho estado a trabalhar para incluir no novo site da UBP 🙂

10 conselhos a principiantes

Quando surge o interesse pela prática e estudo do Budismo, é muito comum não saber por onde começar. Algumas informações para facilitar o início do caminho:

1 Leia uma boa introdução ao Budismo. Um livro simples, por exemplo, O Pensamento Budista, de Chris Pauling, ed. Presença. Ou um livro um pouco mais complexo, mas de referência, O Ensinamento de Buda, de W. Rahula, ed. Estampa.

2 Por quê praticar? Analise a sua motivação. A motivação é o primeiro passo. E o segundo 🙂

3 Faça uma visita a um centro de prática. Conheça praticantes budistas e pratique com eles. O ideal é ter uma prática pelo menos uma vez por semana. Na UBP Porto, temos encontros quinzenais às quartas-feiras às 20h30 e sessões de meditação zen aos sábados às 11h. Veja nas nossas actividades.

4 Se possível, inscreva-se num curso de introdução ao Budismo. Ocorrem geralmente apenas em Lisboa ou no Porto, mas também há cursos online no site E-Dharma.

5 Há imensa informação online. O perigo contudo pode ser a dispersão. Em inglês, leia The Four Noble Truths, de Ajahn Sumedho. Em português, o Acesso ao Insight tem um manancial de informações e ensinamentos.

6 Algum conhecimento teórico do budismo é importante para nós ocidentais, mas não esqueça que o Budismo é essencialmente uma prática: “Evita o que é prejudicial, pratica o bem, purifica a tua mente”.

7 Para se iniciar na meditação, frequente um workshop, organizado regularmente pela UBP Porto, ou um Curso de Introdução à Meditação Budista, ambos previstos para principiantes. Mais uma vez, se não pode frequentar estes cursos, o site E-Dharma propõe cursos de meditação online.

8 Ouça ensinamentos de um mestre ou professor budista… ao vivo! Os centros organizam periodicamente conferências com entrada gratuita ou uma pequena contribuição. Não as deixe passar. Aplique os ensinamentos à sua vida. Veja se faz sentido.

9 Aprofunde a sua prática participando em algum tipo de prática mais longa, como um retiro. Não é necessário ser budista ou tornar-se budista para participar nestas actividades.

10 Por vezes não interessa muito por onde se começa, o que interessa é dar um primeiro passo. E não tem de correr.


3419817191_1c95c882deUm dia, enquanto estávamos sentados no telhado aberto da vihara, Munindraji perguntou a cada um de nós: “Por que querem praticar?” Para mim a aspiração era clara: “Para a libertação.” Então ele disse algo que cimentou a minha decisão de ficar e praticar enquanto pudesse: “Se querem compreender a vossa mente, sentem-se e observem-na.” Foi este ponto de vista claro, sensato e não dogmático que me inspirou. Não havia nada a juntar, não havia rituais a observar, não havia crenças a seguir. Os mistérios da mente revelar-se-iam por si mesmos simplesmente através do poder da minha crescente atenção consciente.

(Joseph Goldstein, in One Dharma, tradução de Margarida Cardoso)


Estamos a trabalhar num novo site para a UBP Porto… estou a escrever um textinho que vai ter de ser mais resumido, mas para  já, este é o início:

BUDDHA

Muitas pessoas curiosas ou simpatizantes do Budismo vêm-no como um todo e ficam perplexos quando começam a perceber que, se querem começar a praticar “seriamente” a via do Buda, mais tarde ou mais cedo vão ter de escolher uma escola. Embora se declare frequentemente que há uma base comum a todas as escolas e tradições budistas, na verdade, as diferenças a nível de uma prática podem ser abismais. E se muitos se interrogam sobre como começar, a resposta a essa questão pode variar grandemente, justamente dependendo das escolas.

As diferentes escolas budistas podem ser encaradas como a expressão da variedade de meios que o Buda encontrou para chegar aos seres. Diz-se que o Buda deu 84 000 ensinamentos, outros tantos meios de ajudar os seres a encontrar o seu caminho. Meios hábeis (upaya) é uma expressão muito frequente na literatura budista e refere-se a métodos e práticas particulares usados para ajudar os estudantes a libertarem-se da ignorância. Estes diferentes métodos correspondem aos diferentes temperamentos, backgrounds, e capacidades de todos nós. Como diz Joseph Goldstein, “Alguns podem achar a linguagem da vacuidade estéril como um deserto. Outros podem encontrar aí o coração da libertação. Outros ainda podem achar que o caminho da devoção os liberta do Ego, enquanto para outros a devoção pode funcionar como uma nuvem de auto-ilusão.”

Cada um de nós precisa de honestidade e introspecção e eventualmente da orientação de um professor para encontrar o seu “meio hábil”. Ou mais simplesmente, como aconselhava Chogyam Trunpa… confiar no acaso.